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Olhares Archive
Além do quadro negro
- maio 15, 2008 11:36 PM
- Colaborações | Olhares | Poesia de cada dia
Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: "Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível
[Metáfora | Gilberto Gil]
Mais do que apresentar a rima ou fazer os alunos contarem versos métricos. A poesia - trabalhada na escola - deve despertar leitores para uma linguagem subjetiva. Fazer ler as entrelinhas.
Nos últimos anos, desde a publicação do Aprendiz, visitei diversas turmas, conversei com estudantes e vi excelentes trabalhos guiados por professores. Casos em que novos sentidos eram dados às palavras. Em que a poesia despertava outras manifestações: desenho, teatro, dança, debates - pensamento crítico e criativo.
Se eu pudesse deixar algumas sugestões de trabalhar a linguagem poética, como aluna que fui, eu diria:
• Desafie os alunos. Façam com que eles vejam além do poema. Deixe a imaginação voar.
• Mostre que a poesia é mais que uma confissão do poeta. Há um exercício com as palavras, com a sonoridade - imagens que demonstram mais que inspiração, um árduo trabalho de linguagem.
• Poesia não são só coisas bonitas, piegas ou melosas. Lembre-se de textos que trabalham com o humor, com a narrativa e que falam da realidade social.
E pra começar, mostre o que, talvez, a linguagem poética tenha de mais fascinante: sua licença, sua relativa desobediência à língua padrão, sua reconstrução. Há algo melhor que isso?
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Poesia nos Reclames
- março 30, 2008 2:09 PM
- Olhares | Poesia de cada dia | Poesia na Publicidade
Na rota das intertextualidades, há sempre discursos que se cruzam ou passam a caminhar juntos. Não diferente é a relação entre publicidade e poesia.
Antes mesmo de existirem as primeiras agências no Brasil, poetas já eram contratados pelos corretores de anúncios - profissionais que faziam as mediações entre os anunciantes e os meios.
Casemiro de Abreu (sim, o de Meus 8 Anos), Hermes Fontes e Olavo Bilac eram alguns desses pré-publicitários e podem ser considerados os precursores da redação publicitária do Brasil.
Na época, eles fizeram um ótimo trabalho, colocando pitadas de criatividade em textos que mais pareciam nossos classificados atuais. Afinal, a publicidade do início do século XX era assim, reflexo de seu mercado-alvo, apostando mais na informação que na persuasão.
Até hoje certos recursos da linguagem poética servem de inspiração para a publicidade, especialmente quando o apelo é emocional.
A campanha de lançamento do carro Ford EcoSport, de 2003, usa um poema (adaptado) de Thiago de Mello Neto, para vender o conceito de que "uma vida de liberdade e aventura começa aqui".
Criados pela JWT, os anúncios traziam o "Instituto de sua nova vida", inspirado em "Estatuto do Homem".
Artigo I: Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive às terças-feiras mais cinzentas, tem o direito de converter-se em manhãs de domingo.
Artigo II: Fica decretado que, a partir deste instante, as janelas devem permanecer o dia inteiro abertas para o verde.
Artigo III: A palavra liberdade será suprimida dos dicionários. A partir deste instante será algo vivo, como o fogo e o mar.
Em 2008, o EcoSport voltou a trazer doses de poesia em sua campanha, chamada de o Novo Mundo. O texto diz mais ou menos assim:
No meu mundo, os fios são galhos. Hidratante é nascente. Televisão é aquário e toda estrela é cadente.
A calçada é grama. O vento faz ciranda. Trânsito é cardume. E todo sonho anda.
Muito prazer, eu sou o novo Ford EcoSport 2008.
De recurso criativo a motivo de encantamento.
A poesia sobrevive à evolução do mundo com toda a graça, ritmo e sentimento.
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Tudo é uma questão de olhar
- março 21, 2008 5:48 PM
- Olhares | Poesia de cada dia
A velha história do copo meio cheio ou meio vazio retrata bem esta idéia. Não adianta subir em uma árvore, deitar-se no chão ou virar de cabeça pra baixo, se o seu jeito de olhar o mundo continuar o mesmo. Manuel Bandeira já dizia: "aprendi com meu filho de 10 anos que poesia é a descoberta das coisas que eu nunca vi". "As coisas que nunca vi" podem ser bem comuns e fazerem parte do cotidiano, mas, de alguma forma, nunca foram percebidas.
Volta e meia, quando falo com alunos sobre poesia, eles me perguntam de onde vem a inspiração. Respondo: Do mundo, oras. E digo mais: todo tema pode dar um bom poema. O que faz a diferença é esse "olhar".
Há uma cena do filme Sociedade dos Poetas Mortos (clique aqui e assista) que retrata muito bem essa noção. Mais do que entender que poesia são outras formas de ver o mundo, é preciso ter uma espécie de liberdade (desprender-se dos aparentes limites mesmo) para conseguir olhar adiante. Lembra daquele papo de que liberdade é uma criança? Aí está.
Você já descobriu algo hoje? Tente olhar ao redor com mais atenção que, com certeza, você vai reparar.
Ignorando as fronteiras do tempo e espaço, a poesia é um meio incomparável de compreensão intercultural. Este é um trecho do blog de Andréa Motta, sobre o Dia Mundial da Poesia (hoje!). Vale a pena conferir aqui.
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