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Colaborações Archive
Além do quadro negro
- maio 15, 2008 11:36 PM
- Colaborações | Olhares | Poesia de cada dia
Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: "Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível
[Metáfora | Gilberto Gil]
Mais do que apresentar a rima ou fazer os alunos contarem versos métricos. A poesia - trabalhada na escola - deve despertar leitores para uma linguagem subjetiva. Fazer ler as entrelinhas.
Nos últimos anos, desde a publicação do Aprendiz, visitei diversas turmas, conversei com estudantes e vi excelentes trabalhos guiados por professores. Casos em que novos sentidos eram dados às palavras. Em que a poesia despertava outras manifestações: desenho, teatro, dança, debates - pensamento crítico e criativo.
Se eu pudesse deixar algumas sugestões de trabalhar a linguagem poética, como aluna que fui, eu diria:
• Desafie os alunos. Façam com que eles vejam além do poema. Deixe a imaginação voar.
• Mostre que a poesia é mais que uma confissão do poeta. Há um exercício com as palavras, com a sonoridade - imagens que demonstram mais que inspiração, um árduo trabalho de linguagem.
• Poesia não são só coisas bonitas, piegas ou melosas. Lembre-se de textos que trabalham com o humor, com a narrativa e que falam da realidade social.
E pra começar, mostre o que, talvez, a linguagem poética tenha de mais fascinante: sua licença, sua relativa desobediência à língua padrão, sua reconstrução. Há algo melhor que isso?
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Poesia: a revolução de dentro
- abril 12, 2008 2:20 PM
- Colaborações | Poesia de cada dia
De vez em quando, você encontra um texto com o qual é quase impossível não se identificar. Foi assim que descobri na crônica "A revolução da delicadeza", do escritor joinvillense Rubens da Cunha, uma verdadeira pausa para a poesia - em plena prosa. O trecho foi publicado no Jornal A Notícia e tirado do livro Aço e Nada, que tive o privilégio de ler.
Experimente não crescer por algumas horas do dia. Jogue sobre seu sorriso um pouco de infância: doces de chocolate, bolas-de-gude, pandorga; retire de seu peito a responsabilidade e brinque de boneca, carrinho, casinha e pique-esconde. Primeiro te chamarão de irresponsável, depois de vadio, por fim de louco. Isso tudo porque você deteve-se na infância durante três horas numa segunda-feira. Faça isso mais vezes por mais tempo em dias úteis. É praticamente uma tarefa impossível. É bem mais fácil matar alguém toda manhã do que descrescer.
Inevitável não pensar como seria bom se cada um se desse essa chance: voltar a ser um pouco criança. Viver mais livre e com menos preocupações.
Poesia também serve para repensar a vida. A gente só precisa tentar.
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Manifestando-se
- março 16, 2008 11:27 PM
- Colaborações
Aparentemente no mesmo ritmo tranqüilo que seu nome - como uma pausa para o café, para olhar pela janela ou para um súbito pensamento - este blog vem recebendo várias colaborações por email.
Uma delas foi a de Luciano dos Santos Alves, quase um manifesto pela poesia viva, já publicado aqui.
Poesia. Devia ser proibida de ser escrita e assim ficar aprisionada em uma reles folha de papel. Antes de ser eternamente escravizada na celulose deveria ela ser livre no mundo. Nenhum poeta poderia escrever a poesia que não viveu que não sonhou. Ninguém poderia ler uma poesia se não estivesse disposto a completá-la, a dividir com a sua própria existência, sua realidade, sua vida.
Quintana dizia que os livros de poesia deviam vir com várias páginas em branco e espaços grandes entre as frases, para que as crianças pudessem desenhar e pintar nas folhas e nos espaços. Eu, porém defendo que não se escrevam mais livros de poesia. Pois os livros são sonhos prontos, emoções fabricadas por alguém que as viveu ou as sonhou. Acabemos com os livros de poesia. E que cada um seja livre para fazer de sua vida um poema um romance ou simplesmente um conto de fadas.
Isso me lembrou um outro manifesto, de Tiago de Mello Neto [escrito em Santiago do Chile, abril de 1964]
Valeu a pena conferir: http://www.youtube.com/watch?v=XylbBRdiRdI
ESTATUTO DO HOMEM
(Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
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Jornada Poética
- março 14, 2008 10:38 AM
- Colaborações | Poesia de cada dia
Dizem que a arte deve ir onde o povo está. Foi por isso que a Sociedade Escritores de Blumenau resolveu, em pleno Dia Nacional da Poesia (leia-se hoje!), tornar essa manifestação artística algo pulsante em diversos pontos de Blumenau.
Às sete horas da manhã, alguns poetas reuniram-se na Praça da Poesia, próxima à prefeitura municipal para declamar ver versos de Lindolf Bell e Cecília Meirelles, com o Rio Itajaí de pano de fundo.
Muitos outros poemas, de diversos autores brasileiros e internacionais, serão declamados até o fim das 12 horas de poesia.
Confira abaixo o etinerário do recital.
Recital 12 horas de Poesia
Promoção da Sociedade Escritores de Blumenau
Apoio da Fundação Cultural de Blumenau
07:00h - Praça da Poesia
08:00h - Garrafas Poéticas na Ponte de Ferro
09:00h - FURB - Campus 1
10:00h - EBM Machado de Assis e Rádio Nereu
11:00h - Escadaria da Matriz
12:00h - Jornal do Almoço RBS
12:00h - Expresso
13:00h - Refeitório da Empresa Brandes Engenharia
14:00h - Jardim das Artes (Kuntsgarten)
15:00h - Rádio Nereu
16:00h - Escola
17:00h - Biblioteca Fritz Müller
17:30h - Bosque Fundação Cultural de Blumenau
18:00h - Terminal de ônibus
19:00h - Sarau na Fundação Cultural de Blumenau
19:30h - Auditório Edith Gaertner - Palestra "POESIA - A TERAPIA DOS ESCOLHIIDOS "- Joaquim Monks
20:00h - TV Galega - Programa Arte e Cultura - Ivo Hadlich - Eliomar Russi
E você pode contribuir, encontrando-se com o grupo em alguma das paradas e levando os seus versos, o seu espírito e a sua voz.
É sua chance de dar uma pausa para a poesia.
Cobertura completa do evento aqui.
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Um canto de várias vozes...
- março 10, 2008 11:18 AM
- Colaborações
O pausa está no ar há tão pouco tempo (ainda passando por alguns ajustes, como não poderia deixar de ser), mas já conta com contribuições pra lá de especiais.
Uma delas é da escritora Isnelda Weise, que tão logo ficou sabendo deste blog, já enviou um poema-convite.
PAUSA PARA POESIA
[por Isnelda Weise]
Só um minuto, um período
Um momento de introspecção
Eis que a vida pede um tempo
Uma pausa pra emoção.
A poesia ora latente
Nos caminhos mais banais
Teima em rogar passagem
Aos que sufocam seus ais.
Venham todos: é um convite
Para uma causa sem dor
E o ingresso só exige
Um pacto que lhe retorne
À magia do encantador.
A Grace, do Desabrochar, amiga e expert em web (que me ajudou um bocado com tudo por aqui), também fez um post especial falando um pouquinho do Pausa e de Relicário.
Obrigada às duas. Sem o envolvimento de pessoas assim, nada seria possível.
E você, já deu uma pausa hoje? Para a poesia?
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