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Poesia: a revolução de dentro

De vez em quando, você encontra um texto com o qual é quase impossível não se identificar. Foi assim que descobri na crônica "A revolução da delicadeza", do escritor joinvillense Rubens da Cunha, uma verdadeira pausa para a poesia - em plena prosa. O trecho foi publicado no Jornal A Notícia e tirado do livro Aço e Nada, que tive o privilégio de ler.

         Experimente não crescer por algumas horas do dia. Jogue sobre seu sorriso um pouco de infância: doces de chocolate, bolas-de-gude, pandorga; retire de seu peito a responsabilidade e brinque de boneca, carrinho, casinha e pique-esconde. Primeiro te chamarão de irresponsável, depois de vadio, por fim de louco. Isso tudo porque você deteve-se na infância durante três horas numa segunda-feira. Faça isso mais vezes por mais tempo em dias úteis. É praticamente uma tarefa impossível. É bem mais fácil matar alguém toda manhã do que descrescer.

Inevitável não pensar como seria bom se cada um se desse essa chance: voltar a ser um pouco criança. Viver mais livre e com menos preocupações.

bolha de sabão02.jpgPoesia também serve para repensar a vida. A gente só precisa tentar.

Comentários:4

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Fábio Ricardo abril 14, 2008 11:34 AM

Taí uma boa forma de se viver.
Tirar um tempinho pra voltar a ser tudo aquilo que a gente já foi um dia, e que agora não pode mais ser.

Vivi abril 14, 2008 5:42 PM

Seu cantinho ficou melhor ainda. Muito convidativo. Dá uma paz...
Permitir-se um retorno aos primeiros anos é meu sonho de consumo e de vida. Com certeza, os melhores anos de minha vida.
"Oh! A idade venturosa da infância! Onde há outra mais feliz e mais tranquila, mais sorridente - isto é, mais egoísta?... Em volta de nós podem suceder as piores catástrofes. Se elas nos não arrancam nem os brinquedos nem os bolos, não nos atingem de forma alguma... não as compreendemos sequer...
Quando muito, correm-nos lágrimas vendo chorar as nossas mães. No entanto, é só ainda vagamente que percebemos a dor humana. Por isso as nossas lágrimas secam depressa diante dos brinquedos. E se o quadro em que nos agitamos é risonho, a infância tansforma-se-nos então num jardim maravilhoso. Para as crianças felizes, só para elas, existe realmente um céu - o ceú dos seus primeiros anos".

Mário de Sá-Carneiro

Carol abril 24, 2008 6:15 PM

Se a gente vivesse a vida com paladar de infância, o céu iria ser mais granulado. As pequenas alegrias mais cultivadas. Ia ser pefeito.

Beijos :D

Rubens abril 25, 2008 4:46 PM

Oi Lorraine

obrigado pela citação. Acrecido que se a gente fizer uma corrente de delicados, podemos alterar, mesmo que silenciosamente, o mundo.

abraços
Rubens

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