- abril 12, 2008 2:20 PM
- Colaborações | Poesia de cada dia
De vez em quando, você encontra um texto com o qual é quase impossível não se identificar. Foi assim que descobri na crônica "A revolução da delicadeza", do escritor joinvillense Rubens da Cunha, uma verdadeira pausa para a poesia - em plena prosa. O trecho foi publicado no Jornal A Notícia e tirado do livro Aço e Nada, que tive o privilégio de ler.
Experimente não crescer por algumas horas do dia. Jogue sobre seu sorriso um pouco de infância: doces de chocolate, bolas-de-gude, pandorga; retire de seu peito a responsabilidade e brinque de boneca, carrinho, casinha e pique-esconde. Primeiro te chamarão de irresponsável, depois de vadio, por fim de louco. Isso tudo porque você deteve-se na infância durante três horas numa segunda-feira. Faça isso mais vezes por mais tempo em dias úteis. É praticamente uma tarefa impossível. É bem mais fácil matar alguém toda manhã do que descrescer.
Inevitável não pensar como seria bom se cada um se desse essa chance: voltar a ser um pouco criança. Viver mais livre e com menos preocupações.
Poesia também serve para repensar a vida. A gente só precisa tentar.
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