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Dê uma pausa para a poesia

Você não gosta de falar sobre sua própria vida. Tem medo de se perguntar se é feliz, porque é orgulhoso demais para admitir uma resposta negativa. Você não confessa que tem fraquezas, que esqueceu o dia do seu aniversário de namoro, que também não sabe o que esperar do futuro. Você não abraçou ninguém hoje. Você não se lembra do que comeu no almoço nem da última vez que viu o pôr-do-sol.

E você ainda diz que está vivendo. Sim, o dia-a-dia é um pouco corrido, mas estou bem - vivendo. Quando você vê é meio-dia, chegou sexta-feira, está no Natal! É veloz o jeito de passar pela vida e as pausas que você se permite são cada vez menos constantes. O café no meio do expediente é adoçado pelos problemas do trabalho, o fim de semana com a família é compartilhado com preocupações alheias e o agora é quase sempre um misto de futuro e passado... tão pouco presente.

Uma pausa é tão somente um instante para olhar - ao mundo ou a si mesmo. É aquela vontade de organizar a vida como se fosse uma estante e de transformar a existência num filme - com direção, cortes e trilha sonora nas melhores cenas.

E por que exatamente a poesia no meio disso? Porque poesia é muito mais do que os versinhos que você decorou para aquele jogral da escola. É mais do que aquele poema copiado do livro de português para uma carta à sua primeira namorada. Vai além do que está no papel e do que a letra da sua música preferida.

Poesia também é sua bagagem de vida, o jeito que você percebe o mundo.  Aquele sorriso que você nunca esqueceu, a injustiça que você presenciou e ainda não conseguiu tirar da cabeça, o primeiro raio de sol que bateu no seu rosto hoje de manhã. Entendeu agora por que poesia tem tudo a ver com as pequenas pausas da vida?

Experimente dar uma pausa a você mesmo.

Tente. Perceba. Escreva. Qual a poesia do seu agora?

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